quarta-feira, 15 de abril de 2015

Professor pira II...

Esse post é o segundo de uma série que acredito que será quase interminável... são tantas coisas pequenas e quase absurdas que nos fazem repensar o quanto vale a pena ser professor que terei assunto para mais centenas de "posts". Então vamos à cena:

- Sr. coordenador, esse aluno está dizendo que pegaram o caderno dele e jogaram pela janela.
- E o professor?
- Disse que não viu.
- E o aluno?
- Também não vi quem foi.
(respiração profunda. ar solto vagarosamente)
- Criatura de Deus. Como pode alguém pegar o seu caderno, jogar pela janela e você não ver?
- Eu estava conversando.
- Devia estar boa a conversa, né? E o professor?
- Era com ele que eu estava conversando.
(cara de paisagem do coordenador)
- E o que você quer que eu faça? Que te dê um caderno novo?
(resposta rápida): Não, assim terei que copiar a matéria.
(olhos fechados e a mente voando lá para casa. Nessa chuva... minha cama... vazia... eu aqui... enfim, de volta à realidade).
- Já vou até a sala.
(professor sentado, alunos conversando).
- Quem é o loko?
- O loko aqui é o coordenador e tudo o que eu tenho para falar para vocês é PA-LHA-ÇA-DA.
(um ser de luz bate palmas). Não, não, querido. Quem merece as palmas são vocês, afinal, o palhaço aqui não sou eu.  Dá licença, professor.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Professor pira...

Iniciando uma série de comentários a cerca de situações surreais ficcionais (ou não) sobre o dia a dia do docente...

Séculos e séculos se passaram e todos viveram felizes para sempre... nem todos... porque às vezes somos obrigados a ouvir cada besteira que sai da boca de algumas crianças de 16 anos que se meu ouvido falasse, diria: Cala a boca, Magda! (E com essa eu entreguei a minha idade). Visualizem a situação:
Quarta-feira, 10 horas da manhã, reunião com a chapa vencedora do grêmio escolar. O aluno, candidato a presidente, proclama ao ser solicitado a dizer seu nome por completo:
- É Vinícius, com V!
Eu esmudeci! Não seria Vinícius com M... de Moraes ou C de Cantuária? Pelo menos haveria música para os meus ouvidos. Mas não, era Vinícius com V...
- E faz um V bem bonito... cheio de arabescos...
Tolerância zero que sou, respondi na lata:
- Faz com um V bem grande, bem detalhado, bem bicha.
- Mas bicha não é com V...
- Mas viado é, e tudo dá a bunda...
- Como você é engraçado...
- Se eu fosse engraçado estaria fazendo stand-up e ganhando fortunas, não dando aula e vendendo o almoço para comprar a janta .
- Não disse que você é engraçado?

Enfim, mereço?


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mais pensamentos...

Ultimamente ando pensando muito, e acho que isso não é bom porque nos faz vislumbrar situações em que nunca imaginamos estar envolvidos. Sempre tive muita certeza de estar fazendo o correto, o que escolhi para a minha vida. Sempre quis ser professor. Mas, os acontecimentos dos últimos dias têm me feito refletir sobre essa minha escolha e o quanto vale a pena continuar batendo a cabeça.
Vejo constantemente alunos postarem  no facebook que antes de ser médico, engenheiro, publicitário, o diabo a quatro, você precisou de um professor. Mas o quanto essa "valorização" ocorre de verdade? Será que esses alunos são os mesmos que pedem para ser dispensados mais cedo porque não querem mais estudar? São os mesmos que enquanto falamos sobre o conteúdo - que será cobrado não apenas em provas, mas em vestibulares e concursos - estão mexendo nos celulares (que é proibido por lei), estão conversando, jogando baralho, fazendo qualquer coisa, menos prestando atenção?
Eu entendo que é difícil ficar seis horas sentado, mas sei o quanto isso é necessário e procuro tornar as minhas aulas o menos chatas possível, mas parece que apenas eu estou preocupado com meus alunos. Será que eles não estão preocupados com o futuro deles?
O que leva alunos da segunda série do ensino médio (pensaram que eu estava falando dos alunos do fundamental?), pessoas de 16 ou 17 anos ficarem trocando tapas e socos em sala de aula e dizerem que é carinho, brincadeira? O que leva alunos da terceira série do ensino médio a colocar fogo no lixo da sala de aula? Fico pensando se eu realmente fiz faculdade, duas pós-graduações para ter que presenciar isso. Ah, mais uma coisa: alunos de escola particular, dos quais se espera um mínimo de educação. Ao meu ver eles são todos criados na rua, sem que os pais tomem as rédeas e lhes ensinem regras de convivência com o próximo. O pior de tudo? Essa não ser a primeira vez que isso acontece - já aconteceu na aula de vários  professores - e ninguém ser penalizado. Ops, errei. Os professores são penalizados, advertidos por terem permitido que isso acontecesse.
Se eu não posso me virar para a lousa para escrever algo porque eles vão colocar fogo na sala, pergunto-me: sou professor ou carcereiro? Não gostou do texto? Achou ofensivo? Eu também não gostei da atitude do seu filho (ou sua, se for um dos meus alunos que estiver lendo) e achei ofensiva a atitude que estão tendo em sala de aula. A diferença? Você pode reclamar de mim para a direção. Eu não posso fazer nada!


Teder Sacoman

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sabe quando a gente para e pensa?

Esse post, depois de muito tempo longe do blog, não por displicência e nem falta de assunto, mas por falta de tempo mesmo, é carregado de revolta e tristeza.
Todo esse tempo, como muitos sabem, estive trabalhando para inaugurar a minha escola de artes, uma realização pessoal que tem me tomando tempo e dinheiro... enfim, está pronta e esperando que os alunos apareçam... alguns já vieram, outros estão por vir, todo começo é difícil e não é isso que me preocupa... mas imagine a cena: você não dormiu a noite toda, passou mal do estômago e não foi trabalhar... quando se sente um pouco melhor você levanta e vê que sua funcionária também passou mal e não foi trabalhar. Até aí tudo bem. Ao chegar na escola você vê o lixo todo remexido, depois percebe que as portas foram  arrombadas e que levaram todos os seus equipamentos eletrônicos... é o momento em que a gente para e pensa? Vale a pena investir tudo o que você tem para um filho da puta qualquer levar assim? Tô muito chateado com a situação e pensando seriamente se vale a pena continuar com essa história de escola...

domingo, 21 de julho de 2013

Cala a boca, Fábio

Ontem, 20 de julho, dia da amizade. Nada mais normal do que querer comemorar com os amigos essa data. Eu fui na casa de um grande amigo, o Marcão e sua esposa Rosângela. Conversamos, bebemos, rimos e tal. Foi muito legal.
O que não é legal é as pessoas não perceberem que tudo tem um limite. Estava eu dormindo, sou velho e durmo, ficar acordado a madrugada inteira é coisa pra adolescente, quando às 2h00 da manhã sou acordado pelo meu vizinho do andar de cima experimentando a caixa de som que havia recebido de presente de um amigo. Ele ligou aquela "merda" com um putz-putz terrível e tentou ver quantos decibéis aquilo alcançava. Não bastasse isso, ele e toda a população daquela casa resolveram testá-la na sacada. O som vinha direto para o meu quarto.
- Putz, véio... mó alto!
- É isso ae, Fabio, da hora!
Hora? Eles têm noção da hora? São duas da manhã e eu quero dormir, mesmo que hoje seja domingo, eu quero e preciso dormir.
Levantei e disquei para a portaria, explicando o que estava acontecendo. Uma vez, duas vezes, na terceira eu ouço:
- Esse povo não sabe o que é ser jovem. Eu falo alto? Eu falo alto e ouço música alta também.
Houve uma pequena discussão entre o vigia da noite e o rapaz do andar de cima, mas a música acabou e o silêncio se instaurou, graças a Deus.
Sou chato? Um pouco. Não tenho nada contra festas e muito menos contra as regras de condomínio. Se quer dar uma festa, respeita-as, caso contrário vá festejar em um lugar adequado. Da próxima vez que isso acontecer eu apenas vou sair de cueca na sacada e gritar: Cala a boca, Fábio e desliga essa merda! Por favor - só para ser educado.

Abs

Teder

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Nem sempre as coisas são como deveriam ser...

Este post é mais uma terapia, um desabafo, que um texto sobre algo em si. Na verdade, o é também. Eu sou um pouco ansioso... na verdade... muito ansioso. Não me prometa algo que não pode cumprir, nunca me fale que fará algo que não fará...
Acredito que as coisas no Brasil deveriam seguir a pontualidade britânica, pois, nos últimos dias tenho estado à beira de um colapso... vejam:
- a moça da imobiliária diz, na quarta-feira, que o contrato ficará pronto na sexta-feira. O que eu faço? Cancelo todos os compromissos para esperar a ligação que só vem às 17h30 para avisar que não foi possível concluir o processo e que deverá ficar pronto na próxima segunda ou terça.
- a atendente da NET diz que o técnico irá me visitar entre 20h00 e 23h00. Muito estranho, ele vem pra jantar? Traz uma pizza pelo menos, mas fico esperando. Você veio? Nem ele.
- a moça do banco diz que as aplicações estarão disponíveis em até 24h. Já foram quase 48h e o dinheiro? Nada ainda.
Essa falta de compromisso me deixa nervoso porque se eu atraso o cartão de crédito do banco em 24h, eles me ligam. Se eu atrasar o pagamento do aluguel da sexta para segunda, eles me ligam. Se eu não pagar a NET no prazo certo, eles me ligam. Quer dizer que eu devo ser pontual e eles fazem do jeito que querem? Ah, vou comer um bolo para relaxar... só assim mesmo!

Abs

Teder

domingo, 14 de julho de 2013

A dificuldade da comunicação

Volto a este blog para narrar uma situação vivenciada pela minha pessoa na data de hoje... Fui com alguns amigos ao shopping Raposo para assistir a um filme... Estávamos dando uma volta, esperando o horário do filme quando me deparei com uma feirinha de artesanato e uma barraca de pins e ímãs... fui xeretar... estava escolhendo alguns e tal, ao meu lado, além dos amigos, duas meninas, uma de muleta e a outra que falava mais que a boca. O dono da banca chegou e perguntou se poderia nos ajudar. Dissemos que estávamos apenas olhando e continuamos olhando.
De repente a menina que falava demais perguntou se ele tinha um ímã escrito: Não fume!
O cara ficou olhando e com sotaque americano disse que não havia entendido e pediu que elas falassem em inglês. Elas riram e sinalizaram que não sabiam o idioma. Eu, na minha compaixão, com a maior boa vontade em ajudá-las disse: No smoking! Achei que tinha feito minha parte, tinha pagado de CDF, todos me olhando e tal, me sentindo o bonzão do inglês...
Só o que o cara desembestou a falar e eu, sem entender muito do que ele falava porque parecia um locutor esportivo, disse "não" e continuei olhando. O meu desespero por não entender fez com que eu fosse rude, mal educado. Poderia ter dito: Sorry, I don't understand you. E tudo ficaria bem. Enfim, com medo de errar alguma coisa eu acabei não falando uma língua que eu conheço, paguei um mico enorme na frente dos meus amigos que ficaram rindo e tirando sarro: "Ué, você não é professor de inglês?", as meninas devem ter me achado o maior babaca: "Quis pagar de bonzão e se fudeu!", o gringo me achou um mal educado e eu perdi a chance de usar o meu inglês.
Um dia ainda perco o medo de errar e saio falando, afinal, o que importa é se comunicar!

Até a próxima,

Essa semana promete...

Teder Sacoman

PS.: Pallas vem aí!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Enfim, chegou...

Não sou muito afeito a festejos e comemorações de aniversário. Procuro sempre me esconder nesse dia, talvez porque sempre que planejo algo, não dá certo, mas enfim... a festa é o de menos para mim.
Gosto de olhar para trás e refletir sobre tudo o que se passou nesses últimos anos: as conquistas que tive, as perdas que precisei encarar, as promessas que não cumpri... e olhar para frente, planejar tudo o que eu quero. E isso, felizmente, está muito claro para mim e já estou trabalhando para que se realize.
Algo com o qual, talvez, eu não esteja me entendendo muito é a idade...há pouco eu tinha 18, hoje já são 32. Acho engraçado como o tempo passa mais rápido conforme envelhecemos. Constantemente me assusto ao ver que meus alunos nasceram no ano que eu já estava na faculdade. Que minha mãe está chegando nos 60, que minha sobrinha - que eu vi nascer, tão pequenina - já vai fazer 10.
Não sou do tipo pessimista, mas do tipo reflexivo. Hoje penso muito em mim, nas coisas que quero fazer e que me dão prazer. Agradeço a Deus, ao meu pai Oxaguian por estar vivo, saudável e com forças para continuar... um ótimo aniversário para mim!

Beijos

Teder Sacoman


sábado, 6 de julho de 2013

Sonhos...


Hoje eu quero contar um sonho. É muito estranho, mas tenho tido sonhos estranhos, muitas vezes - em sua maioria - com pessoas que já estão em um outro plano. Alguns são muito claros, entendo o que significam, mas outros são confusos, não fazem muito sentido para mim. Às vezes guardo para mim apenas, às vezes divido com quem acho que devo dividir e dou os recados que acho que devo dar.
Devo dizer que sou candomblecista (acho que é esse o termo), acredito muito em forças da natureza, nos orixás e nos outros planos existenciais. Para mim,  esse mundo é apenas uma passagem para aprendizagem. E o sonho de hoje tem muito a ver com isso.
Não é novidade para ninguém o quanto eu amo Clara Nunes, "a mineira guerreira filha de Ogum com Iansã". Ela tem estado presente em diversos momentos. Quando estou triste, é ela que me dá alegria; quando estou ansioso, ela me traz a calma...enfim, as músicas de Clara e a sua história me motivam a nunca desistir e sempre tentar. E essa noite ela se fez presente. Depois de muitos sonhos ruins, um sonho maravilhoso:
Era um programa de televisão, Os trapalhões, anos 70. De repente, de uma brincadeira, os orixás começavam a tomar conta do palco: Ogum, Iansã, Xangô, Iemanjá, meu pai Oxaguian, todos eles e ela aparecia: Clara, com seu cabelo exuberante, em um vestido vermelho, cantando e dançando para mim. Só eu a via. Era um show exclusivo e tudo muito lindo. Ela cantava, os orixás dançavam e eu me sentia feliz como nunca.
Pode ter sido apenas um sonho, mas foi a realização de um sonho que eu nunca realizarei. Quando Clara "se foi a cantar para além do luar onde moram as estrelas" eu tinha apenas dois anos. Não a conheci, somente a vi em fotos e vídeos, mas esse sonho foi tão real que sinto ter ganho um dos primeiros presentes de aniversário desse ano: a Claridade esteve comigo e sei que ela sempre estará, gravada em minha mente, em meu espírito e no meu corpo.
Bem, queria apenas dividir esse belo momento que tive com todos. Ninguém precisa acreditar no que eu disse, no que eu acredito, basta que eu acredite e isso me faça bem.

Axé

Teder Sacoman

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A novela das 8

O post de hoje é para falar de um filme que já esteve em minhas mãos diversas vezes: já o vi em camelôs, em lojas de dvds (compro muitos filmes), na tv a cabo, enfim... sempre desdenhei, talvez por causa do título "A novela das oito".
Achei que seria um filme sobre novelas no Brasil, sei lá. Mas hoje, ao abrir o youtube, ele estava lá, em destaque, como sugestão. Pensei: "deve ser perseguição, melhor eu assistir logo essa merda e pronto". E fi-lo. E surpreendi-me. Terminei de assistir com o pensamento: "Esse é um roteiro que eu gostaria de ter escrito. Essa é a história que eu gostaria de ter contado".
Há muitos que acham cinema nacional uma porcaria, mas eu gosto, e muito dos filmes brasileiros. Ainda mais que como esse envolve questões políticas - com a perseguição da personagem principal pelos militares na ditadura -, amorosas - o romance que não deu certo entre os companheiros comunistas, mas que gerou um filho, sexuais - o filho da protagonista se descobrindo gay e tendo sua primeira vez com um homem que vive um casamento de mentira -, emocionais - a prostituta que sonha viver uma novela...
Enfim, não vou contar toda a história do filme, quem quiser que assista no link abaixo. Quero apenas deixar aqui meu reconhecimento a uma bela história que deixa um gosto de "quero mais" ao final.

Aproveitem!


Teder Sacoman

terça-feira, 2 de julho de 2013

Literatura de mulherzinha...

Esse é mais um post da série "Preconceito Literário". Vou falar um pouco sobre o livro "Fora de mim", de Martha Medeiros, lançado esse ano.
Eu nunca havia ouvido falar em Martha Medeiros, na verdade eu conhecia a adaptação de sua obra para a televisão e para o cinema "Divã", interpretado por Lilia Cabral. A sugestão de lê-la me foi dada pelo Renato Ferreira há algum tempo. Acabei achando o livro por acaso, comprei e fui ler. Ainda na livraria me perguntaram: É pra sua namorada?
Eu não entendi muito e questionei o porquê?
É um livro para meninas, fala de uma mulher mal amada que vai atrás do grande amor da vida dela, essas coisas de meninas.
Dei uma risada sem graça, paguei e sim. Hoje, sem ter muito o que fazer, resolvi lê-lo. Um livro pequeno, rápido de ser lido. Realmente fala sobre uma mulher que após doze anos de um casamento falido, resolve ir atrás de um grande amor. Na verdade, ela não está procurando um amor, está procurando a si mesma, está buscando saber quais são seus gostos, suas preferências. Estar envolvida com alguém é, ao meu ver, apenas uma forma de isso acontecer. Tanto tempo passou sem saber quem era que precisa de ajuda para isso. Seus romances não dão muito certo, mas entre acertos, erros e situações inusitadas - como se tornar amiga da mulher que lhe roubou um dos namorados - ela se encontra. Ela se descobre e se define.
Fiquei pensando, ao término da leitura, se esse é realmente um livro para mulheres. Acho que consegui compreender muita coisa sobre a alma feminina. É impossível ler e não se identificar como um dos namorados da personagem principal e se ver em uma das situações descritas.
Enfim, rotular um livro como "de mulherzinha" só porque foi escrito por uma mulher e tem situações românticas como pano de fundo é uma análise muito superficial. Martha Medeiros é uma de nossas maiores escritoras da atualidade e seus livros devem ser lidos levando em conta os diversos painéis que são pintados em suas histórias.

Até mais,

Teder Sacoman

sábado, 29 de junho de 2013

Enfim, férias...

Agora sim, oficialmente estou de férias... dormir até tarde, não fazer nada, apenas hibernar na cama os próximos 30 dias... até coloquei a tv no quarto...
Doce ilusão... essas férias não serão de descanso. Muitos projetos a serem realizados. Quero escrever muito, aliás, como faz tempo que não passo por aqui, não compartilhei o  prêmio que ganhei com o conto "Cotard", que está em um dos posts anteriores. Então, lá vai a foto. Agradeço muito pela escolha, mostra-me que estou no caminho e quem sabe um dia serei um grande escritor.


Agora vou começar os próximos projetos, ou melhor, concluir o que está enroscado:
1. Publicação do meu livro. Já era para ter saído há tempos, mas está enrolado;
2. Academia e natação. Preciso perder uns quilos;
3. Teatro. Tenho ensaios, só preciso descobrir quando;
4. Escola de artes. Esse filho também está demorando a nascer, mas está quase saindo;
5. Comemorar meu aniversário em Campos do Jordão, no frio e no descanso.

Bem, é isso que pretendo fazer. Nada de dormir, nada de não fazer nada. Mas começo na segunda-feira, hoje vou descansar. Se eu sumir de novo é porque estou na correria.

Até

Teder Sacoman

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Que diferença faz...

Quando comecei a escrever este blog, tinha como intuito falar sobre livros, discos, filmes... sobre o ato de escrever pelo qual sou apaixonado... mas, em uma das minhas conversas com alunos - e converso muito com meus alunos - fui questionado por que não toco em temas polêmicos, por que não comento o que está acontecendo, afinal, o Brasil está vivendo uma revolução e eu na minha casa como se não estivesse acontecendo.
Hoje teremos a manifestação aqui em Osasco, espero que ocorra bem, que o povo se manifeste sem vandalismo, pois que respeito queremos que os políticos e poderosos tenham por nós se não respeitamos o que é nosso? Não estar na manifestação não significa que eu concorde com tudo o que está acontecendo. O povo tem que se colocar na rua e gritar por seus direitos. Eu já fiz muito disso, já fui cara pintada a favor do impeachment do Collor, fiz greve contra as condições de trabalho a que nós professores estamos submetidos, já compareci à Parada Gay, pois acreditava que estaria ajudando a defender a igualdade entre todos, já briguei muito. E que diferença faz?
Faz toda a diferença. Quando demonstramos o que acreditamos ser certo, quando nos fazemos visíveis aos olhos de todos, quando não ficamos calados aguentando tudo o que nos é imposto e isso faz com que algo mude, então vale a pena, faz a diferença.

O preço do ônibus vai diminuir? O senhor Marcos Feliciano vai parar com a idiotice da "cura gay"? Os professores serão respeitados e tratados com dignidade? Não sei, mas sei que se isso acontecer eu poderei dizer: eu fiz a diferença. Eu estava lá. Defendendo os meus direitos e os dos outros.
Hoje uso esse espaço para manifestar, para falar e sei que o que digo chegará a muitas pessoas e é usando a palavra, essa querida, que consigo dizer o que penso e sinto.
Sei que misturei tudo neste post, mas o Brasil é isso: mistura de etnias, de religiões, de seres diferentes que devem se respeitar sempre.
Vou deixar um vídeo de uma campanha que vale a pena ser conhecida. Ser diferente é normal.



Até mais,

Teder


terça-feira, 18 de junho de 2013

E zás... como nasce a poesia!

E zás... como nasce uma poesia...


Às voltas com meus comichões literários que não me deixam dormir enquanto não preencho algumas linhas de meu caderno de rascunhos, veio-me à lembrança uma calorosa e engraçada discussão que tive com colegas literatos sobre o nascimento da poesia.
Devo confessar que o gênero em pauta não é o meu forte e que as poucas tentativas que fiz para adentrá-lo foram frustradas, mas como escritor e professor de literatura achei-me qualificado para o embate.
Várias teorias foram discutidas: que a poesia vem do coração, que as emoções devem fluir pela mão do poeta e configurar na folha de papel; que a poesia vem da mente, que deve organizar as palavras em uma sequência rítmica e métrica, sendo este o trabalho de um verdadeiro arquiteto da língua; que a poesia deve retratar a realidade e servir como forma de manifesto e indignação perante os descabidos da nossa sociedade; que a poesia deve conter amor e, ao contrário, ignorar toda a loucura consumista e egoísta de nossa sociedade; enfim, muito discutíamos e a nenhuma conclusão chegávamos.
No meio desta discussão toda, lembrei-me de uma história que me foi contada há algum tempo: a prefeitura de nossa cidade havia organizado um ciclo de palestras com escritores locais que percorreriam as escolas públicas da região para levar seu trabalho e cultura para as comunidades carentes. Durante um desses encontros – com a presença de uma ilustre e premiada poetisa de fama local, admirada por colegas da região -, uma criança perguntou: “mas como nascem as poesias?”
Sem titubear, a escritora respondeu: “É assim...” e tentando ser o mais didática possível, começou a encenar enquanto explanava sobre o nascimento da poesia. “Você fica pensando em algo, seu cérebro começa a te mostrar um monte de imagens, como um céu cheio de estrelas que vão vindo lá do fundo, que vão vindo, vão vindo, vão vindo e ... zás! Nasce a poesia. Entendeu?”
Se entendeu nunca soubemos, mas que deve ter se assustado com toda a gesticulação e movimentação dos braços da autora, isso deve. A criança até hoje deve achar que poesia é coisa de gente maluca, emaconhada, e se pensava em ser escritor deve ter desistido. Eu desistiria. Até hoje não entendo esta história de zás! Seria a poesia, então, um momento de epifania representado pelo zás? Ou seria o zás o exato momento em que um ser sobrenatural incorpora no poeta e este começa a escrever? O zás é o instante em que a droga bate e os horizontes se ampliam?
Enfim, o que concluímos desta discussão toda é que poesia é poesia, não importa como ela nasça ou o que ela retrate e que o zás é a melhor resposta para quando não sabemos a resposta de algo. Como escrevi esta crônica? Bem, eu estava pensando e... zás!

Teder Sacoman

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aquela dos 30...

Começo este post sabendo que serei linchado virtualmente por alguns, criticado e xingado por outros, mas tudo bem, recém entrado no meu inferno astral (faço aniversário no próximo dia 10), vivenciando a crise dos homens de 30 e vendo o tempo passar com uma velocidade estrondosa, pego-me pensando nessa frase que ouvi em uma música da cantora Sandy - carreira solo - "sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem".
Nenhuma frase havia sintetizado tanto essa sensação de estar envelhecendo e se achar jovem ainda com essa. Olhar para o espelho e ver que a barriga cresceu e o cabelo está mais branco que preto pode causar um colapso emocional em alguém que nunca pensou que esse momento chegaria.
A academia não produz resultados tão eficazes quanto antes, cruzar a piscina a nado demora mais e, às vezes, é preciso um descanso no meio do caminho. Ir à festa de aniversário da sobrinha que você viu nascer e perceber que ela já fez 9 anos, que os seus primeiros alunos já se formaram na faculdade e que colegas de  colégio estão casados e com filhos e você ainda se achando adolescente, jovem, faz com que a autoestima vá lá para baixo.
Semana passada colocaram no facebook uma foto minha tirada na formatura de oitava série. Ano: 1995. Não havia máquinas digitais nem celulares que tiravam fotos. Aliás, ainda pagávamos para ter uma linha telefônica em casa. Consórcio. Enfim, quanta mudança. Estou mais maduro, mais inteligente, mais responsável, mas a ficha de que os 30 chegaram ainda não caiu. Na minha época, telefone era à ficha. Tínhamos aula de datilografia. Pornografia, só nas revistas de banca que roubávamos e escondíamos das mães.
Depressivo? Não. Saudosista. Gostava daquela época em que ficávamos na rua jogando pelada até de noite e não tinha carro para atrapalhar, nem ladrão para nos roubar; de ir para a casa da tia avó Yolanda - carinhosamente, tia Landa - e chupar manga com sal em cima do pé, guerra de bolinhas de barro, banho de mangueira...
Hoje, guardo alguns LPs daquela época (algumas pessoas nem sabem o que é LP), fotos e recordações. Os 30 já chegaram, os 31 estão passando e em menos de um mês, chegarão os 32. O que fazer? "Viver, e não ter a vergonha de ser feliz". Mesmo que a felicidade dependa de um vidro de Grecin 2000.

Até mais, deixo a foto dos meus 14 anos, na formatura da 8ª série e o clipe da Sandy. Sei que muitos vão se identificar.



Fui,

Teder Sacoman

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cotard

Pela primeira vez nesse blog publico um conto de minha autoria. Esse está participando do Mapa Cultural Paulista 2013/2014... Me digam o que acharam!!!


Cotard
(Teder Sacoman)

Sou apenas um olho. Um olho que tudo vê e ninguém percebe. Sou a citação de um poeta que não lembro o nome, afinal, sou apenas um olho.
Estranho. Acordar e me sentir um fragmento de Brás Cubas, um único olho. Todo o resto já foi devorado pelos vermes de meu cadáver, pelo primeiro e pelo último. Não há mais vermes apenas um olho que tudo vê e nada sente.
Sou insensível como um cadáver, ou parte dele. Este único olho, aberto, vislumbra o mofo do teto, a luz dos faróis dos carros que entra pela janela. É madrugada e há vida lá fora. Aqui dentro, apenas um olho e como tal, farei a única coisa que me é possível fazer: vislumbrar a vida como nunca havia feito em vida. Sou um olho e permito-me olhar o que os outros não veem.
Não é preciso ir longe: debaixo da primeira ponte uma mulher com os cabelos rançosos e as unhas negras cozinha em uma lata de tinta velha e enferrujada, num fogo feito de restos da política de ontem um pouco de água suja para aquecer o estômago daqueles pobres infelizes que vivem a infelicidade que não lhes foi dada, mas imposta por aqueles que agora queimam nos jornais nesse mesmo fogo. Sinto-me tentado a mergulhar naquela água e dar algum sabor àquilo que ela chama de sopa. Mas ainda há muito o que ver; preciso-me inteiro até o final.
Na avenida, os faróis refletem-se nos paetês das travestis. As prostitutas usam menos brilho, não refletem tanto. O resto da chuva ainda está nas poças. O carro apressado faz o brilho dos paetês ficar marrom e o travesti roxo. As putas riem. A navalha corre. O sangue escoa.
Sinto-me perdido no vazio que você deixou. Quem meu corpo deixou. Citações de desconhecidos me vêm à mente que eu não possuo mais. Engraçado lembrar de algo sem ter um cérebro que possa lembrar. Afinal, sou apenas um olho. De íris verde e pupila dilatada, mas, ainda, apenas um olho.
O trânsito não para. As pessoas andam. Os supermercados não fecham. Os fast-foods estão lotados e os corpos dançam em meio à luz neon. Um corpo cai. Hitchcock. Acho que essa é dele. O corpo que cai, fica ali, caído. Pelo menos é um corpo, eu sou só um olho.
Um grupo de rapazes conversam animados em um posto de gasolina. Se corrermos ainda dá tempo de ver o nascer do sol na praia – ouço, com o ouvido que não tenho. Pego carona e em pouco tempo a areia e o mar estão à nossa frente. Falta pouco mais de uma hora até o sol surgir. Roupas na areia. Corpos nus no mar. Tento fechar o olho, mas não tenho pálpebras nem mãos que me escondam. Viro-me e a avenida está vazia.
Desejo voltar no primeiro ônibus. Sentado na rodoviária, espero. Olho paga passagem? Inteira ou meia? Não tenho dinheiro, terei de suplicar carona com a voz que não sai mais pela boca que não há. Subo os degraus e paro no início do corredor à busca de um lugar vazio. Outros olhos me indagam, curiosos de minha natureza. Pensei ser invisível, mas agora percebo que os outros podem me ver. Que cena grotesca: um olho flutuante em meio à escuridão. Um olho verde, de pupilas dilatadas.
Na volta, São Paulo parece-me mais distante que na ida. A euforia faz com que a descida seja rápida e o cansaço perpetua a viagem de retorno.
Meu reino por uma cama! Ou um colírio! Parodio um personagem de Shakespeare: Othelo, Hamlet ou Iago? Acho que Lear! O cérebro me falta nessa hora. Literalmente. Eu, como olho vivo que sou, canso-me. Se tivesse um corpo, ou pelo menos uma cabeça, estaria com enxaqueca.

A pupila volta ao normal. O teto mofado reaparece, assim como reaparecem as minhas pernas, os meus braços, minha cabeça, meu olho. Meu outro olho. Surpreendo-me: não sou mais apenas um olho. Verde. De pupilas dilatadas. De citações de autores imemoráveis. Sou o que resta de mim fora desse olho.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mapa Cultural Paulista 2013

Hoje, como eu havia dito, falarei um pouco sobre o Mapa Cultural Paulista que é um concurso para revelar novos talentos das artes em São Paulo.
Na minha área, literatura, são três as categorias em que se pode concorrer: poesia, conto e crônica. Em uma das edições fui vencedor da fase municipal na categoria Conto e ganhei menção honrosa na fase regional Grande SP. Para a edição desse ano as inscrições estão abertas até o dia 12 de junho. É importante participar desse concurso não apenas pelo prêmio de R$ 2.000,00 caso seja vencedor da fase estadual, mas por causa da possibilidade de ter seu texto analisado por especialistas e saber se você está escrevendo bem ou não, o que precisa melhorar e, de repente, ter seu texto publicado. A primeira vez que vi um texto meu em um livro fui tomado por uma emoção tamanha que acho que só um filho ao nascer pode proporcionar.
Quem quiser participar, pode mandar um e-mail para tsacoman@hotmail.com que eu mando as fichas de inscrição e informações ou ir até a Biblioteca Municipal de Osasco e procurar pela Sabrina ou Marili.


terça-feira, 4 de junho de 2013

"É preciso encontrar a paz..."

Sei que falei para alguns que o assunto do post de hoje seria outro, mas os acontecimentos fizeram com que eu mudasse, então, o de hoje vai ficar para amanhã e o que não existia fica para hoje.
Posso dizer que hoje foi um dia daqueles que não precisavam ter amanhecido. Um dia daqueles em que um dia parece ser uma semana. Enfim, explicando o que aconteceu:
Saí cedo de casa para trabalhar como sempre (ou quase sempre) e resolvi abastecer o carro antes. Até aí tudo bem. O problema foi na hora de pagar: eu não encontrava a minha carteira. Lembrei, então, que a havia deixado no armário da escola junto com o meu celular. Ofereci até o meu notebook e a moça do posto não queria me devolver a chave. Precisei ligar de um orelhão para que fossem me resgatar. Quase duas horas depois, vários olhares desconfiados para mim e trinta reais emprestados, segui para a escola. Eu já havia desistido, mas algo disse para eu ir e fui. Qual não foi a minha surpresa ao ligar o rádio e ouvir Gilberto Gil cantando esse verso: "É preciso encontrar a paz..." e a paz encontrei muitas vezes na escola. Mas não foi o que encontrei hoje, mas é o que pretendo encontrar daqui para frente. Broncas e conversas me fizeram ver que tenho que lutar pela continuidade da qualidade de ensino e buscar uma solução - ou pelo menos uma tentativa - para que as pessoas (professores e alunos) percebam isso e se envolvam nisso. Posso ser sonhador? Sempre fui e serei. Hoje falei pouco, vou terminar meu dia bem (a pizza está chegando) e o Gil vai cantar para vocês...


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu leio sim... e vou vivendo...

Começo esse post com uma paródia de uma famosa música de Elizeth Cardoso e tudo isso porque em um desses meus cursos de formação contínua para professores foi levantada a questão? De quem é a responsabilidade pela prática de leitura e escrita do aluno?
Muitos falaram que esse hábito deve ser responsabilidade dos pais. Eu acredito que os pais e a família em geral são peças fundamentais para a manutenção desse hábito. Quando os pais leem ou os irmãos ou algum parente próximo mantém essa atividade, a criança cresce sabendo que aquilo faz bem, que ler pode trazer muitas ideias novas, muitos conhecimentos novos. Mas acredito também que é papel do professor fomentar no aluno esse prazer pela leitura. No meu primeiro post escrevi sobre tipos de leitura e agora digo que o professor deve incentivar o aluno a ler e a escrever mesmo que o produto não seja o que mais lhe agrada.
Vou exemplificar com algo que aconteceu comigo e que eu usei de exemplo no curso: tenho uma aluna muito querida, a Maria Amada e que um dia veio me contar uma história sobre um vizinho dele que é um bebê muito fofo e que ela gosta de brincar com ele e me contou também a respeito de uma amiga que ela gosta muito. Propus que ela escrevesse a história. Li o primeiro texto produzido e pedi que ela tentasse detalhar mais as brincadeiras e como eram as crianças. E o resultado? Olhem as fotos. Fiquei lisonjeado de receber esse pequeno presente, porém muito valioso e hoje, ao ser perguntada se alguma vez ela já tinha escrito sobre sua vida, ela disse que sim e que foi incentivada por mim. Fiquei muito feliz. Ela será uma grande escritora? Espero que ela seja o que ela desejar, só espero que essa chama que se acendeu, nunca se apague. E é isso que faz valer a pena.

 



E para quem não conhece a música sobre a qual falei no começo, segue o vídeo:


Até mais e por hoje é só


Teder Sacoman

domingo, 2 de junho de 2013

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada..."

O post de hoje é sobre uma frase, destas postadas no facebook constantemente e que é título deste texto. Nunca fui fã de poesia, menos ainda de Cecília Meireles. Chega a ser estranho, alguém que dá aulas de literatura falar que não gosta de poesia, mas eu não gosto. Nunca consegui decorar uma sequer, nunca consegui escrever uma poesia com o mínimo de qualidade, mas, enfim, essa frase, dessa poetisa fantástica que é a Cecília, me fez pensar e modificar meus gostos.

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada." Li e pensei em quantas vezes já reinventei a minha vida. Li e pensei o quanto isso é verdadeiro, o quanto isso faz sentido e o quanto isso nos amedronta. Vou contar uma pequena história: aos 13 anos eu acreditava que seria padre, pensei seriamente nisso, mas desisti pouco tempo depois porque padre não namora, não casa e isso para mim é inconcebível; depois arrumei uma namorada, com quem fui morar aos 18 anos em Belo Horizonte e que me fez prestar o vestibular para publicidade - eu entrei, ela não. Comecei o curso aqui em São Paulo e depois nos mudamos para BH. Mas, durante o curso, eu conheci outra pessoa, que viria, mais tarde, ser outra namorada. O casamento não deu certo e voltei, e recomecei. Arranjei emprego em uma metalúrgica e aos vinte e um anos decidi que queria ser ator. Nova namorada - a da faculdade -, novo curso - o de artes cênicas -, e novo emprego - a metalúrgica. É claro que não ia durar, afinal, ator troca de namorada como troca de roupa. Fim de namoro, continuidade do teatro. Dois anos em cartaz me fizeram perceber que mal iria conseguir me sustentar com o teatro. Nova faculdade: letras. Novos namoros e relacionamentos: uma constante em minha vida (pareço um pouco promíscuo, mas sinto uma necessidade enorme de estar com alguém, sempre). Ao terminar a faculdade, novo emprego: professor - e nesse parece que me encontrei. Gosto muito de dar aulas, compartilhar conhecimento com os alunos - ensinar e aprender.
De uns tempos para cá, vi que eu posso ser muito mais útil fora do que dentro da sala de aula e por isso estou terminando o curso de gestão escolar: quero ser diretor ou coordenador. Quero pensar no fazer pedagógico e modificar o que se faz - e como se faz besteiras em uma escola.
Constantemente, ouço meus alunos sobre a dificuldade de decisão sobre a carreira a seguir. O que dizer para eles? Pense em algo que vocês gostem, mas que te deem retorno financeiro, afinal, não adianta gostar e passar fome, nem ter dinheiro e ser frustrado. O que fica disso tudo depois de três faculdades, duas pós-graduações, sei lá quantos namoros, é que a vida, a vida de verdade, a vida verdadeira, aquela vida que faz sentido só é possível reinventada. Não tenho medo de errar e só se arrependa de não tentar. E salve, Cecília Meireles.

Até o próximo,

reinventando sempre

Teder Sacoman

PS.: Agradeço as mais de cem visualizações que o primeiro post teve. Valeu!