terça-feira, 18 de junho de 2013

E zás... como nasce a poesia!

E zás... como nasce uma poesia...


Às voltas com meus comichões literários que não me deixam dormir enquanto não preencho algumas linhas de meu caderno de rascunhos, veio-me à lembrança uma calorosa e engraçada discussão que tive com colegas literatos sobre o nascimento da poesia.
Devo confessar que o gênero em pauta não é o meu forte e que as poucas tentativas que fiz para adentrá-lo foram frustradas, mas como escritor e professor de literatura achei-me qualificado para o embate.
Várias teorias foram discutidas: que a poesia vem do coração, que as emoções devem fluir pela mão do poeta e configurar na folha de papel; que a poesia vem da mente, que deve organizar as palavras em uma sequência rítmica e métrica, sendo este o trabalho de um verdadeiro arquiteto da língua; que a poesia deve retratar a realidade e servir como forma de manifesto e indignação perante os descabidos da nossa sociedade; que a poesia deve conter amor e, ao contrário, ignorar toda a loucura consumista e egoísta de nossa sociedade; enfim, muito discutíamos e a nenhuma conclusão chegávamos.
No meio desta discussão toda, lembrei-me de uma história que me foi contada há algum tempo: a prefeitura de nossa cidade havia organizado um ciclo de palestras com escritores locais que percorreriam as escolas públicas da região para levar seu trabalho e cultura para as comunidades carentes. Durante um desses encontros – com a presença de uma ilustre e premiada poetisa de fama local, admirada por colegas da região -, uma criança perguntou: “mas como nascem as poesias?”
Sem titubear, a escritora respondeu: “É assim...” e tentando ser o mais didática possível, começou a encenar enquanto explanava sobre o nascimento da poesia. “Você fica pensando em algo, seu cérebro começa a te mostrar um monte de imagens, como um céu cheio de estrelas que vão vindo lá do fundo, que vão vindo, vão vindo, vão vindo e ... zás! Nasce a poesia. Entendeu?”
Se entendeu nunca soubemos, mas que deve ter se assustado com toda a gesticulação e movimentação dos braços da autora, isso deve. A criança até hoje deve achar que poesia é coisa de gente maluca, emaconhada, e se pensava em ser escritor deve ter desistido. Eu desistiria. Até hoje não entendo esta história de zás! Seria a poesia, então, um momento de epifania representado pelo zás? Ou seria o zás o exato momento em que um ser sobrenatural incorpora no poeta e este começa a escrever? O zás é o instante em que a droga bate e os horizontes se ampliam?
Enfim, o que concluímos desta discussão toda é que poesia é poesia, não importa como ela nasça ou o que ela retrate e que o zás é a melhor resposta para quando não sabemos a resposta de algo. Como escrevi esta crônica? Bem, eu estava pensando e... zás!

Teder Sacoman

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