Vejo constantemente alunos postarem no facebook que antes de ser médico, engenheiro, publicitário, o diabo a quatro, você precisou de um professor. Mas o quanto essa "valorização" ocorre de verdade? Será que esses alunos são os mesmos que pedem para ser dispensados mais cedo porque não querem mais estudar? São os mesmos que enquanto falamos sobre o conteúdo - que será cobrado não apenas em provas, mas em vestibulares e concursos - estão mexendo nos celulares (que é proibido por lei), estão conversando, jogando baralho, fazendo qualquer coisa, menos prestando atenção?
Eu entendo que é difícil ficar seis horas sentado, mas sei o quanto isso é necessário e procuro tornar as minhas aulas o menos chatas possível, mas parece que apenas eu estou preocupado com meus alunos. Será que eles não estão preocupados com o futuro deles?
O que leva alunos da segunda série do ensino médio (pensaram que eu estava falando dos alunos do fundamental?), pessoas de 16 ou 17 anos ficarem trocando tapas e socos em sala de aula e dizerem que é carinho, brincadeira? O que leva alunos da terceira série do ensino médio a colocar fogo no lixo da sala de aula? Fico pensando se eu realmente fiz faculdade, duas pós-graduações para ter que presenciar isso. Ah, mais uma coisa: alunos de escola particular, dos quais se espera um mínimo de educação. Ao meu ver eles são todos criados na rua, sem que os pais tomem as rédeas e lhes ensinem regras de convivência com o próximo. O pior de tudo? Essa não ser a primeira vez que isso acontece - já aconteceu na aula de vários professores - e ninguém ser penalizado. Ops, errei. Os professores são penalizados, advertidos por terem permitido que isso acontecesse.
Se eu não posso me virar para a lousa para escrever algo porque eles vão colocar fogo na sala, pergunto-me: sou professor ou carcereiro? Não gostou do texto? Achou ofensivo? Eu também não gostei da atitude do seu filho (ou sua, se for um dos meus alunos que estiver lendo) e achei ofensiva a atitude que estão tendo em sala de aula. A diferença? Você pode reclamar de mim para a direção. Eu não posso fazer nada!
Teder Sacoman

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