quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mais pensamentos...

Ultimamente ando pensando muito, e acho que isso não é bom porque nos faz vislumbrar situações em que nunca imaginamos estar envolvidos. Sempre tive muita certeza de estar fazendo o correto, o que escolhi para a minha vida. Sempre quis ser professor. Mas, os acontecimentos dos últimos dias têm me feito refletir sobre essa minha escolha e o quanto vale a pena continuar batendo a cabeça.
Vejo constantemente alunos postarem  no facebook que antes de ser médico, engenheiro, publicitário, o diabo a quatro, você precisou de um professor. Mas o quanto essa "valorização" ocorre de verdade? Será que esses alunos são os mesmos que pedem para ser dispensados mais cedo porque não querem mais estudar? São os mesmos que enquanto falamos sobre o conteúdo - que será cobrado não apenas em provas, mas em vestibulares e concursos - estão mexendo nos celulares (que é proibido por lei), estão conversando, jogando baralho, fazendo qualquer coisa, menos prestando atenção?
Eu entendo que é difícil ficar seis horas sentado, mas sei o quanto isso é necessário e procuro tornar as minhas aulas o menos chatas possível, mas parece que apenas eu estou preocupado com meus alunos. Será que eles não estão preocupados com o futuro deles?
O que leva alunos da segunda série do ensino médio (pensaram que eu estava falando dos alunos do fundamental?), pessoas de 16 ou 17 anos ficarem trocando tapas e socos em sala de aula e dizerem que é carinho, brincadeira? O que leva alunos da terceira série do ensino médio a colocar fogo no lixo da sala de aula? Fico pensando se eu realmente fiz faculdade, duas pós-graduações para ter que presenciar isso. Ah, mais uma coisa: alunos de escola particular, dos quais se espera um mínimo de educação. Ao meu ver eles são todos criados na rua, sem que os pais tomem as rédeas e lhes ensinem regras de convivência com o próximo. O pior de tudo? Essa não ser a primeira vez que isso acontece - já aconteceu na aula de vários  professores - e ninguém ser penalizado. Ops, errei. Os professores são penalizados, advertidos por terem permitido que isso acontecesse.
Se eu não posso me virar para a lousa para escrever algo porque eles vão colocar fogo na sala, pergunto-me: sou professor ou carcereiro? Não gostou do texto? Achou ofensivo? Eu também não gostei da atitude do seu filho (ou sua, se for um dos meus alunos que estiver lendo) e achei ofensiva a atitude que estão tendo em sala de aula. A diferença? Você pode reclamar de mim para a direção. Eu não posso fazer nada!


Teder Sacoman

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sabe quando a gente para e pensa?

Esse post, depois de muito tempo longe do blog, não por displicência e nem falta de assunto, mas por falta de tempo mesmo, é carregado de revolta e tristeza.
Todo esse tempo, como muitos sabem, estive trabalhando para inaugurar a minha escola de artes, uma realização pessoal que tem me tomando tempo e dinheiro... enfim, está pronta e esperando que os alunos apareçam... alguns já vieram, outros estão por vir, todo começo é difícil e não é isso que me preocupa... mas imagine a cena: você não dormiu a noite toda, passou mal do estômago e não foi trabalhar... quando se sente um pouco melhor você levanta e vê que sua funcionária também passou mal e não foi trabalhar. Até aí tudo bem. Ao chegar na escola você vê o lixo todo remexido, depois percebe que as portas foram  arrombadas e que levaram todos os seus equipamentos eletrônicos... é o momento em que a gente para e pensa? Vale a pena investir tudo o que você tem para um filho da puta qualquer levar assim? Tô muito chateado com a situação e pensando seriamente se vale a pena continuar com essa história de escola...