quarta-feira, 15 de abril de 2015

Professor pira II...

Esse post é o segundo de uma série que acredito que será quase interminável... são tantas coisas pequenas e quase absurdas que nos fazem repensar o quanto vale a pena ser professor que terei assunto para mais centenas de "posts". Então vamos à cena:

- Sr. coordenador, esse aluno está dizendo que pegaram o caderno dele e jogaram pela janela.
- E o professor?
- Disse que não viu.
- E o aluno?
- Também não vi quem foi.
(respiração profunda. ar solto vagarosamente)
- Criatura de Deus. Como pode alguém pegar o seu caderno, jogar pela janela e você não ver?
- Eu estava conversando.
- Devia estar boa a conversa, né? E o professor?
- Era com ele que eu estava conversando.
(cara de paisagem do coordenador)
- E o que você quer que eu faça? Que te dê um caderno novo?
(resposta rápida): Não, assim terei que copiar a matéria.
(olhos fechados e a mente voando lá para casa. Nessa chuva... minha cama... vazia... eu aqui... enfim, de volta à realidade).
- Já vou até a sala.
(professor sentado, alunos conversando).
- Quem é o loko?
- O loko aqui é o coordenador e tudo o que eu tenho para falar para vocês é PA-LHA-ÇA-DA.
(um ser de luz bate palmas). Não, não, querido. Quem merece as palmas são vocês, afinal, o palhaço aqui não sou eu.  Dá licença, professor.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Professor pira...

Iniciando uma série de comentários a cerca de situações surreais ficcionais (ou não) sobre o dia a dia do docente...

Séculos e séculos se passaram e todos viveram felizes para sempre... nem todos... porque às vezes somos obrigados a ouvir cada besteira que sai da boca de algumas crianças de 16 anos que se meu ouvido falasse, diria: Cala a boca, Magda! (E com essa eu entreguei a minha idade). Visualizem a situação:
Quarta-feira, 10 horas da manhã, reunião com a chapa vencedora do grêmio escolar. O aluno, candidato a presidente, proclama ao ser solicitado a dizer seu nome por completo:
- É Vinícius, com V!
Eu esmudeci! Não seria Vinícius com M... de Moraes ou C de Cantuária? Pelo menos haveria música para os meus ouvidos. Mas não, era Vinícius com V...
- E faz um V bem bonito... cheio de arabescos...
Tolerância zero que sou, respondi na lata:
- Faz com um V bem grande, bem detalhado, bem bicha.
- Mas bicha não é com V...
- Mas viado é, e tudo dá a bunda...
- Como você é engraçado...
- Se eu fosse engraçado estaria fazendo stand-up e ganhando fortunas, não dando aula e vendendo o almoço para comprar a janta .
- Não disse que você é engraçado?

Enfim, mereço?


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mais pensamentos...

Ultimamente ando pensando muito, e acho que isso não é bom porque nos faz vislumbrar situações em que nunca imaginamos estar envolvidos. Sempre tive muita certeza de estar fazendo o correto, o que escolhi para a minha vida. Sempre quis ser professor. Mas, os acontecimentos dos últimos dias têm me feito refletir sobre essa minha escolha e o quanto vale a pena continuar batendo a cabeça.
Vejo constantemente alunos postarem  no facebook que antes de ser médico, engenheiro, publicitário, o diabo a quatro, você precisou de um professor. Mas o quanto essa "valorização" ocorre de verdade? Será que esses alunos são os mesmos que pedem para ser dispensados mais cedo porque não querem mais estudar? São os mesmos que enquanto falamos sobre o conteúdo - que será cobrado não apenas em provas, mas em vestibulares e concursos - estão mexendo nos celulares (que é proibido por lei), estão conversando, jogando baralho, fazendo qualquer coisa, menos prestando atenção?
Eu entendo que é difícil ficar seis horas sentado, mas sei o quanto isso é necessário e procuro tornar as minhas aulas o menos chatas possível, mas parece que apenas eu estou preocupado com meus alunos. Será que eles não estão preocupados com o futuro deles?
O que leva alunos da segunda série do ensino médio (pensaram que eu estava falando dos alunos do fundamental?), pessoas de 16 ou 17 anos ficarem trocando tapas e socos em sala de aula e dizerem que é carinho, brincadeira? O que leva alunos da terceira série do ensino médio a colocar fogo no lixo da sala de aula? Fico pensando se eu realmente fiz faculdade, duas pós-graduações para ter que presenciar isso. Ah, mais uma coisa: alunos de escola particular, dos quais se espera um mínimo de educação. Ao meu ver eles são todos criados na rua, sem que os pais tomem as rédeas e lhes ensinem regras de convivência com o próximo. O pior de tudo? Essa não ser a primeira vez que isso acontece - já aconteceu na aula de vários  professores - e ninguém ser penalizado. Ops, errei. Os professores são penalizados, advertidos por terem permitido que isso acontecesse.
Se eu não posso me virar para a lousa para escrever algo porque eles vão colocar fogo na sala, pergunto-me: sou professor ou carcereiro? Não gostou do texto? Achou ofensivo? Eu também não gostei da atitude do seu filho (ou sua, se for um dos meus alunos que estiver lendo) e achei ofensiva a atitude que estão tendo em sala de aula. A diferença? Você pode reclamar de mim para a direção. Eu não posso fazer nada!


Teder Sacoman

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sabe quando a gente para e pensa?

Esse post, depois de muito tempo longe do blog, não por displicência e nem falta de assunto, mas por falta de tempo mesmo, é carregado de revolta e tristeza.
Todo esse tempo, como muitos sabem, estive trabalhando para inaugurar a minha escola de artes, uma realização pessoal que tem me tomando tempo e dinheiro... enfim, está pronta e esperando que os alunos apareçam... alguns já vieram, outros estão por vir, todo começo é difícil e não é isso que me preocupa... mas imagine a cena: você não dormiu a noite toda, passou mal do estômago e não foi trabalhar... quando se sente um pouco melhor você levanta e vê que sua funcionária também passou mal e não foi trabalhar. Até aí tudo bem. Ao chegar na escola você vê o lixo todo remexido, depois percebe que as portas foram  arrombadas e que levaram todos os seus equipamentos eletrônicos... é o momento em que a gente para e pensa? Vale a pena investir tudo o que você tem para um filho da puta qualquer levar assim? Tô muito chateado com a situação e pensando seriamente se vale a pena continuar com essa história de escola...

domingo, 21 de julho de 2013

Cala a boca, Fábio

Ontem, 20 de julho, dia da amizade. Nada mais normal do que querer comemorar com os amigos essa data. Eu fui na casa de um grande amigo, o Marcão e sua esposa Rosângela. Conversamos, bebemos, rimos e tal. Foi muito legal.
O que não é legal é as pessoas não perceberem que tudo tem um limite. Estava eu dormindo, sou velho e durmo, ficar acordado a madrugada inteira é coisa pra adolescente, quando às 2h00 da manhã sou acordado pelo meu vizinho do andar de cima experimentando a caixa de som que havia recebido de presente de um amigo. Ele ligou aquela "merda" com um putz-putz terrível e tentou ver quantos decibéis aquilo alcançava. Não bastasse isso, ele e toda a população daquela casa resolveram testá-la na sacada. O som vinha direto para o meu quarto.
- Putz, véio... mó alto!
- É isso ae, Fabio, da hora!
Hora? Eles têm noção da hora? São duas da manhã e eu quero dormir, mesmo que hoje seja domingo, eu quero e preciso dormir.
Levantei e disquei para a portaria, explicando o que estava acontecendo. Uma vez, duas vezes, na terceira eu ouço:
- Esse povo não sabe o que é ser jovem. Eu falo alto? Eu falo alto e ouço música alta também.
Houve uma pequena discussão entre o vigia da noite e o rapaz do andar de cima, mas a música acabou e o silêncio se instaurou, graças a Deus.
Sou chato? Um pouco. Não tenho nada contra festas e muito menos contra as regras de condomínio. Se quer dar uma festa, respeita-as, caso contrário vá festejar em um lugar adequado. Da próxima vez que isso acontecer eu apenas vou sair de cueca na sacada e gritar: Cala a boca, Fábio e desliga essa merda! Por favor - só para ser educado.

Abs

Teder

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Nem sempre as coisas são como deveriam ser...

Este post é mais uma terapia, um desabafo, que um texto sobre algo em si. Na verdade, o é também. Eu sou um pouco ansioso... na verdade... muito ansioso. Não me prometa algo que não pode cumprir, nunca me fale que fará algo que não fará...
Acredito que as coisas no Brasil deveriam seguir a pontualidade britânica, pois, nos últimos dias tenho estado à beira de um colapso... vejam:
- a moça da imobiliária diz, na quarta-feira, que o contrato ficará pronto na sexta-feira. O que eu faço? Cancelo todos os compromissos para esperar a ligação que só vem às 17h30 para avisar que não foi possível concluir o processo e que deverá ficar pronto na próxima segunda ou terça.
- a atendente da NET diz que o técnico irá me visitar entre 20h00 e 23h00. Muito estranho, ele vem pra jantar? Traz uma pizza pelo menos, mas fico esperando. Você veio? Nem ele.
- a moça do banco diz que as aplicações estarão disponíveis em até 24h. Já foram quase 48h e o dinheiro? Nada ainda.
Essa falta de compromisso me deixa nervoso porque se eu atraso o cartão de crédito do banco em 24h, eles me ligam. Se eu atrasar o pagamento do aluguel da sexta para segunda, eles me ligam. Se eu não pagar a NET no prazo certo, eles me ligam. Quer dizer que eu devo ser pontual e eles fazem do jeito que querem? Ah, vou comer um bolo para relaxar... só assim mesmo!

Abs

Teder

domingo, 14 de julho de 2013

A dificuldade da comunicação

Volto a este blog para narrar uma situação vivenciada pela minha pessoa na data de hoje... Fui com alguns amigos ao shopping Raposo para assistir a um filme... Estávamos dando uma volta, esperando o horário do filme quando me deparei com uma feirinha de artesanato e uma barraca de pins e ímãs... fui xeretar... estava escolhendo alguns e tal, ao meu lado, além dos amigos, duas meninas, uma de muleta e a outra que falava mais que a boca. O dono da banca chegou e perguntou se poderia nos ajudar. Dissemos que estávamos apenas olhando e continuamos olhando.
De repente a menina que falava demais perguntou se ele tinha um ímã escrito: Não fume!
O cara ficou olhando e com sotaque americano disse que não havia entendido e pediu que elas falassem em inglês. Elas riram e sinalizaram que não sabiam o idioma. Eu, na minha compaixão, com a maior boa vontade em ajudá-las disse: No smoking! Achei que tinha feito minha parte, tinha pagado de CDF, todos me olhando e tal, me sentindo o bonzão do inglês...
Só o que o cara desembestou a falar e eu, sem entender muito do que ele falava porque parecia um locutor esportivo, disse "não" e continuei olhando. O meu desespero por não entender fez com que eu fosse rude, mal educado. Poderia ter dito: Sorry, I don't understand you. E tudo ficaria bem. Enfim, com medo de errar alguma coisa eu acabei não falando uma língua que eu conheço, paguei um mico enorme na frente dos meus amigos que ficaram rindo e tirando sarro: "Ué, você não é professor de inglês?", as meninas devem ter me achado o maior babaca: "Quis pagar de bonzão e se fudeu!", o gringo me achou um mal educado e eu perdi a chance de usar o meu inglês.
Um dia ainda perco o medo de errar e saio falando, afinal, o que importa é se comunicar!

Até a próxima,

Essa semana promete...

Teder Sacoman

PS.: Pallas vem aí!