sábado, 29 de junho de 2013

Enfim, férias...

Agora sim, oficialmente estou de férias... dormir até tarde, não fazer nada, apenas hibernar na cama os próximos 30 dias... até coloquei a tv no quarto...
Doce ilusão... essas férias não serão de descanso. Muitos projetos a serem realizados. Quero escrever muito, aliás, como faz tempo que não passo por aqui, não compartilhei o  prêmio que ganhei com o conto "Cotard", que está em um dos posts anteriores. Então, lá vai a foto. Agradeço muito pela escolha, mostra-me que estou no caminho e quem sabe um dia serei um grande escritor.


Agora vou começar os próximos projetos, ou melhor, concluir o que está enroscado:
1. Publicação do meu livro. Já era para ter saído há tempos, mas está enrolado;
2. Academia e natação. Preciso perder uns quilos;
3. Teatro. Tenho ensaios, só preciso descobrir quando;
4. Escola de artes. Esse filho também está demorando a nascer, mas está quase saindo;
5. Comemorar meu aniversário em Campos do Jordão, no frio e no descanso.

Bem, é isso que pretendo fazer. Nada de dormir, nada de não fazer nada. Mas começo na segunda-feira, hoje vou descansar. Se eu sumir de novo é porque estou na correria.

Até

Teder Sacoman

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Que diferença faz...

Quando comecei a escrever este blog, tinha como intuito falar sobre livros, discos, filmes... sobre o ato de escrever pelo qual sou apaixonado... mas, em uma das minhas conversas com alunos - e converso muito com meus alunos - fui questionado por que não toco em temas polêmicos, por que não comento o que está acontecendo, afinal, o Brasil está vivendo uma revolução e eu na minha casa como se não estivesse acontecendo.
Hoje teremos a manifestação aqui em Osasco, espero que ocorra bem, que o povo se manifeste sem vandalismo, pois que respeito queremos que os políticos e poderosos tenham por nós se não respeitamos o que é nosso? Não estar na manifestação não significa que eu concorde com tudo o que está acontecendo. O povo tem que se colocar na rua e gritar por seus direitos. Eu já fiz muito disso, já fui cara pintada a favor do impeachment do Collor, fiz greve contra as condições de trabalho a que nós professores estamos submetidos, já compareci à Parada Gay, pois acreditava que estaria ajudando a defender a igualdade entre todos, já briguei muito. E que diferença faz?
Faz toda a diferença. Quando demonstramos o que acreditamos ser certo, quando nos fazemos visíveis aos olhos de todos, quando não ficamos calados aguentando tudo o que nos é imposto e isso faz com que algo mude, então vale a pena, faz a diferença.

O preço do ônibus vai diminuir? O senhor Marcos Feliciano vai parar com a idiotice da "cura gay"? Os professores serão respeitados e tratados com dignidade? Não sei, mas sei que se isso acontecer eu poderei dizer: eu fiz a diferença. Eu estava lá. Defendendo os meus direitos e os dos outros.
Hoje uso esse espaço para manifestar, para falar e sei que o que digo chegará a muitas pessoas e é usando a palavra, essa querida, que consigo dizer o que penso e sinto.
Sei que misturei tudo neste post, mas o Brasil é isso: mistura de etnias, de religiões, de seres diferentes que devem se respeitar sempre.
Vou deixar um vídeo de uma campanha que vale a pena ser conhecida. Ser diferente é normal.



Até mais,

Teder


terça-feira, 18 de junho de 2013

E zás... como nasce a poesia!

E zás... como nasce uma poesia...


Às voltas com meus comichões literários que não me deixam dormir enquanto não preencho algumas linhas de meu caderno de rascunhos, veio-me à lembrança uma calorosa e engraçada discussão que tive com colegas literatos sobre o nascimento da poesia.
Devo confessar que o gênero em pauta não é o meu forte e que as poucas tentativas que fiz para adentrá-lo foram frustradas, mas como escritor e professor de literatura achei-me qualificado para o embate.
Várias teorias foram discutidas: que a poesia vem do coração, que as emoções devem fluir pela mão do poeta e configurar na folha de papel; que a poesia vem da mente, que deve organizar as palavras em uma sequência rítmica e métrica, sendo este o trabalho de um verdadeiro arquiteto da língua; que a poesia deve retratar a realidade e servir como forma de manifesto e indignação perante os descabidos da nossa sociedade; que a poesia deve conter amor e, ao contrário, ignorar toda a loucura consumista e egoísta de nossa sociedade; enfim, muito discutíamos e a nenhuma conclusão chegávamos.
No meio desta discussão toda, lembrei-me de uma história que me foi contada há algum tempo: a prefeitura de nossa cidade havia organizado um ciclo de palestras com escritores locais que percorreriam as escolas públicas da região para levar seu trabalho e cultura para as comunidades carentes. Durante um desses encontros – com a presença de uma ilustre e premiada poetisa de fama local, admirada por colegas da região -, uma criança perguntou: “mas como nascem as poesias?”
Sem titubear, a escritora respondeu: “É assim...” e tentando ser o mais didática possível, começou a encenar enquanto explanava sobre o nascimento da poesia. “Você fica pensando em algo, seu cérebro começa a te mostrar um monte de imagens, como um céu cheio de estrelas que vão vindo lá do fundo, que vão vindo, vão vindo, vão vindo e ... zás! Nasce a poesia. Entendeu?”
Se entendeu nunca soubemos, mas que deve ter se assustado com toda a gesticulação e movimentação dos braços da autora, isso deve. A criança até hoje deve achar que poesia é coisa de gente maluca, emaconhada, e se pensava em ser escritor deve ter desistido. Eu desistiria. Até hoje não entendo esta história de zás! Seria a poesia, então, um momento de epifania representado pelo zás? Ou seria o zás o exato momento em que um ser sobrenatural incorpora no poeta e este começa a escrever? O zás é o instante em que a droga bate e os horizontes se ampliam?
Enfim, o que concluímos desta discussão toda é que poesia é poesia, não importa como ela nasça ou o que ela retrate e que o zás é a melhor resposta para quando não sabemos a resposta de algo. Como escrevi esta crônica? Bem, eu estava pensando e... zás!

Teder Sacoman

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aquela dos 30...

Começo este post sabendo que serei linchado virtualmente por alguns, criticado e xingado por outros, mas tudo bem, recém entrado no meu inferno astral (faço aniversário no próximo dia 10), vivenciando a crise dos homens de 30 e vendo o tempo passar com uma velocidade estrondosa, pego-me pensando nessa frase que ouvi em uma música da cantora Sandy - carreira solo - "sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem".
Nenhuma frase havia sintetizado tanto essa sensação de estar envelhecendo e se achar jovem ainda com essa. Olhar para o espelho e ver que a barriga cresceu e o cabelo está mais branco que preto pode causar um colapso emocional em alguém que nunca pensou que esse momento chegaria.
A academia não produz resultados tão eficazes quanto antes, cruzar a piscina a nado demora mais e, às vezes, é preciso um descanso no meio do caminho. Ir à festa de aniversário da sobrinha que você viu nascer e perceber que ela já fez 9 anos, que os seus primeiros alunos já se formaram na faculdade e que colegas de  colégio estão casados e com filhos e você ainda se achando adolescente, jovem, faz com que a autoestima vá lá para baixo.
Semana passada colocaram no facebook uma foto minha tirada na formatura de oitava série. Ano: 1995. Não havia máquinas digitais nem celulares que tiravam fotos. Aliás, ainda pagávamos para ter uma linha telefônica em casa. Consórcio. Enfim, quanta mudança. Estou mais maduro, mais inteligente, mais responsável, mas a ficha de que os 30 chegaram ainda não caiu. Na minha época, telefone era à ficha. Tínhamos aula de datilografia. Pornografia, só nas revistas de banca que roubávamos e escondíamos das mães.
Depressivo? Não. Saudosista. Gostava daquela época em que ficávamos na rua jogando pelada até de noite e não tinha carro para atrapalhar, nem ladrão para nos roubar; de ir para a casa da tia avó Yolanda - carinhosamente, tia Landa - e chupar manga com sal em cima do pé, guerra de bolinhas de barro, banho de mangueira...
Hoje, guardo alguns LPs daquela época (algumas pessoas nem sabem o que é LP), fotos e recordações. Os 30 já chegaram, os 31 estão passando e em menos de um mês, chegarão os 32. O que fazer? "Viver, e não ter a vergonha de ser feliz". Mesmo que a felicidade dependa de um vidro de Grecin 2000.

Até mais, deixo a foto dos meus 14 anos, na formatura da 8ª série e o clipe da Sandy. Sei que muitos vão se identificar.



Fui,

Teder Sacoman

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cotard

Pela primeira vez nesse blog publico um conto de minha autoria. Esse está participando do Mapa Cultural Paulista 2013/2014... Me digam o que acharam!!!


Cotard
(Teder Sacoman)

Sou apenas um olho. Um olho que tudo vê e ninguém percebe. Sou a citação de um poeta que não lembro o nome, afinal, sou apenas um olho.
Estranho. Acordar e me sentir um fragmento de Brás Cubas, um único olho. Todo o resto já foi devorado pelos vermes de meu cadáver, pelo primeiro e pelo último. Não há mais vermes apenas um olho que tudo vê e nada sente.
Sou insensível como um cadáver, ou parte dele. Este único olho, aberto, vislumbra o mofo do teto, a luz dos faróis dos carros que entra pela janela. É madrugada e há vida lá fora. Aqui dentro, apenas um olho e como tal, farei a única coisa que me é possível fazer: vislumbrar a vida como nunca havia feito em vida. Sou um olho e permito-me olhar o que os outros não veem.
Não é preciso ir longe: debaixo da primeira ponte uma mulher com os cabelos rançosos e as unhas negras cozinha em uma lata de tinta velha e enferrujada, num fogo feito de restos da política de ontem um pouco de água suja para aquecer o estômago daqueles pobres infelizes que vivem a infelicidade que não lhes foi dada, mas imposta por aqueles que agora queimam nos jornais nesse mesmo fogo. Sinto-me tentado a mergulhar naquela água e dar algum sabor àquilo que ela chama de sopa. Mas ainda há muito o que ver; preciso-me inteiro até o final.
Na avenida, os faróis refletem-se nos paetês das travestis. As prostitutas usam menos brilho, não refletem tanto. O resto da chuva ainda está nas poças. O carro apressado faz o brilho dos paetês ficar marrom e o travesti roxo. As putas riem. A navalha corre. O sangue escoa.
Sinto-me perdido no vazio que você deixou. Quem meu corpo deixou. Citações de desconhecidos me vêm à mente que eu não possuo mais. Engraçado lembrar de algo sem ter um cérebro que possa lembrar. Afinal, sou apenas um olho. De íris verde e pupila dilatada, mas, ainda, apenas um olho.
O trânsito não para. As pessoas andam. Os supermercados não fecham. Os fast-foods estão lotados e os corpos dançam em meio à luz neon. Um corpo cai. Hitchcock. Acho que essa é dele. O corpo que cai, fica ali, caído. Pelo menos é um corpo, eu sou só um olho.
Um grupo de rapazes conversam animados em um posto de gasolina. Se corrermos ainda dá tempo de ver o nascer do sol na praia – ouço, com o ouvido que não tenho. Pego carona e em pouco tempo a areia e o mar estão à nossa frente. Falta pouco mais de uma hora até o sol surgir. Roupas na areia. Corpos nus no mar. Tento fechar o olho, mas não tenho pálpebras nem mãos que me escondam. Viro-me e a avenida está vazia.
Desejo voltar no primeiro ônibus. Sentado na rodoviária, espero. Olho paga passagem? Inteira ou meia? Não tenho dinheiro, terei de suplicar carona com a voz que não sai mais pela boca que não há. Subo os degraus e paro no início do corredor à busca de um lugar vazio. Outros olhos me indagam, curiosos de minha natureza. Pensei ser invisível, mas agora percebo que os outros podem me ver. Que cena grotesca: um olho flutuante em meio à escuridão. Um olho verde, de pupilas dilatadas.
Na volta, São Paulo parece-me mais distante que na ida. A euforia faz com que a descida seja rápida e o cansaço perpetua a viagem de retorno.
Meu reino por uma cama! Ou um colírio! Parodio um personagem de Shakespeare: Othelo, Hamlet ou Iago? Acho que Lear! O cérebro me falta nessa hora. Literalmente. Eu, como olho vivo que sou, canso-me. Se tivesse um corpo, ou pelo menos uma cabeça, estaria com enxaqueca.

A pupila volta ao normal. O teto mofado reaparece, assim como reaparecem as minhas pernas, os meus braços, minha cabeça, meu olho. Meu outro olho. Surpreendo-me: não sou mais apenas um olho. Verde. De pupilas dilatadas. De citações de autores imemoráveis. Sou o que resta de mim fora desse olho.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mapa Cultural Paulista 2013

Hoje, como eu havia dito, falarei um pouco sobre o Mapa Cultural Paulista que é um concurso para revelar novos talentos das artes em São Paulo.
Na minha área, literatura, são três as categorias em que se pode concorrer: poesia, conto e crônica. Em uma das edições fui vencedor da fase municipal na categoria Conto e ganhei menção honrosa na fase regional Grande SP. Para a edição desse ano as inscrições estão abertas até o dia 12 de junho. É importante participar desse concurso não apenas pelo prêmio de R$ 2.000,00 caso seja vencedor da fase estadual, mas por causa da possibilidade de ter seu texto analisado por especialistas e saber se você está escrevendo bem ou não, o que precisa melhorar e, de repente, ter seu texto publicado. A primeira vez que vi um texto meu em um livro fui tomado por uma emoção tamanha que acho que só um filho ao nascer pode proporcionar.
Quem quiser participar, pode mandar um e-mail para tsacoman@hotmail.com que eu mando as fichas de inscrição e informações ou ir até a Biblioteca Municipal de Osasco e procurar pela Sabrina ou Marili.


terça-feira, 4 de junho de 2013

"É preciso encontrar a paz..."

Sei que falei para alguns que o assunto do post de hoje seria outro, mas os acontecimentos fizeram com que eu mudasse, então, o de hoje vai ficar para amanhã e o que não existia fica para hoje.
Posso dizer que hoje foi um dia daqueles que não precisavam ter amanhecido. Um dia daqueles em que um dia parece ser uma semana. Enfim, explicando o que aconteceu:
Saí cedo de casa para trabalhar como sempre (ou quase sempre) e resolvi abastecer o carro antes. Até aí tudo bem. O problema foi na hora de pagar: eu não encontrava a minha carteira. Lembrei, então, que a havia deixado no armário da escola junto com o meu celular. Ofereci até o meu notebook e a moça do posto não queria me devolver a chave. Precisei ligar de um orelhão para que fossem me resgatar. Quase duas horas depois, vários olhares desconfiados para mim e trinta reais emprestados, segui para a escola. Eu já havia desistido, mas algo disse para eu ir e fui. Qual não foi a minha surpresa ao ligar o rádio e ouvir Gilberto Gil cantando esse verso: "É preciso encontrar a paz..." e a paz encontrei muitas vezes na escola. Mas não foi o que encontrei hoje, mas é o que pretendo encontrar daqui para frente. Broncas e conversas me fizeram ver que tenho que lutar pela continuidade da qualidade de ensino e buscar uma solução - ou pelo menos uma tentativa - para que as pessoas (professores e alunos) percebam isso e se envolvam nisso. Posso ser sonhador? Sempre fui e serei. Hoje falei pouco, vou terminar meu dia bem (a pizza está chegando) e o Gil vai cantar para vocês...


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu leio sim... e vou vivendo...

Começo esse post com uma paródia de uma famosa música de Elizeth Cardoso e tudo isso porque em um desses meus cursos de formação contínua para professores foi levantada a questão? De quem é a responsabilidade pela prática de leitura e escrita do aluno?
Muitos falaram que esse hábito deve ser responsabilidade dos pais. Eu acredito que os pais e a família em geral são peças fundamentais para a manutenção desse hábito. Quando os pais leem ou os irmãos ou algum parente próximo mantém essa atividade, a criança cresce sabendo que aquilo faz bem, que ler pode trazer muitas ideias novas, muitos conhecimentos novos. Mas acredito também que é papel do professor fomentar no aluno esse prazer pela leitura. No meu primeiro post escrevi sobre tipos de leitura e agora digo que o professor deve incentivar o aluno a ler e a escrever mesmo que o produto não seja o que mais lhe agrada.
Vou exemplificar com algo que aconteceu comigo e que eu usei de exemplo no curso: tenho uma aluna muito querida, a Maria Amada e que um dia veio me contar uma história sobre um vizinho dele que é um bebê muito fofo e que ela gosta de brincar com ele e me contou também a respeito de uma amiga que ela gosta muito. Propus que ela escrevesse a história. Li o primeiro texto produzido e pedi que ela tentasse detalhar mais as brincadeiras e como eram as crianças. E o resultado? Olhem as fotos. Fiquei lisonjeado de receber esse pequeno presente, porém muito valioso e hoje, ao ser perguntada se alguma vez ela já tinha escrito sobre sua vida, ela disse que sim e que foi incentivada por mim. Fiquei muito feliz. Ela será uma grande escritora? Espero que ela seja o que ela desejar, só espero que essa chama que se acendeu, nunca se apague. E é isso que faz valer a pena.

 



E para quem não conhece a música sobre a qual falei no começo, segue o vídeo:


Até mais e por hoje é só


Teder Sacoman

domingo, 2 de junho de 2013

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada..."

O post de hoje é sobre uma frase, destas postadas no facebook constantemente e que é título deste texto. Nunca fui fã de poesia, menos ainda de Cecília Meireles. Chega a ser estranho, alguém que dá aulas de literatura falar que não gosta de poesia, mas eu não gosto. Nunca consegui decorar uma sequer, nunca consegui escrever uma poesia com o mínimo de qualidade, mas, enfim, essa frase, dessa poetisa fantástica que é a Cecília, me fez pensar e modificar meus gostos.

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada." Li e pensei em quantas vezes já reinventei a minha vida. Li e pensei o quanto isso é verdadeiro, o quanto isso faz sentido e o quanto isso nos amedronta. Vou contar uma pequena história: aos 13 anos eu acreditava que seria padre, pensei seriamente nisso, mas desisti pouco tempo depois porque padre não namora, não casa e isso para mim é inconcebível; depois arrumei uma namorada, com quem fui morar aos 18 anos em Belo Horizonte e que me fez prestar o vestibular para publicidade - eu entrei, ela não. Comecei o curso aqui em São Paulo e depois nos mudamos para BH. Mas, durante o curso, eu conheci outra pessoa, que viria, mais tarde, ser outra namorada. O casamento não deu certo e voltei, e recomecei. Arranjei emprego em uma metalúrgica e aos vinte e um anos decidi que queria ser ator. Nova namorada - a da faculdade -, novo curso - o de artes cênicas -, e novo emprego - a metalúrgica. É claro que não ia durar, afinal, ator troca de namorada como troca de roupa. Fim de namoro, continuidade do teatro. Dois anos em cartaz me fizeram perceber que mal iria conseguir me sustentar com o teatro. Nova faculdade: letras. Novos namoros e relacionamentos: uma constante em minha vida (pareço um pouco promíscuo, mas sinto uma necessidade enorme de estar com alguém, sempre). Ao terminar a faculdade, novo emprego: professor - e nesse parece que me encontrei. Gosto muito de dar aulas, compartilhar conhecimento com os alunos - ensinar e aprender.
De uns tempos para cá, vi que eu posso ser muito mais útil fora do que dentro da sala de aula e por isso estou terminando o curso de gestão escolar: quero ser diretor ou coordenador. Quero pensar no fazer pedagógico e modificar o que se faz - e como se faz besteiras em uma escola.
Constantemente, ouço meus alunos sobre a dificuldade de decisão sobre a carreira a seguir. O que dizer para eles? Pense em algo que vocês gostem, mas que te deem retorno financeiro, afinal, não adianta gostar e passar fome, nem ter dinheiro e ser frustrado. O que fica disso tudo depois de três faculdades, duas pós-graduações, sei lá quantos namoros, é que a vida, a vida de verdade, a vida verdadeira, aquela vida que faz sentido só é possível reinventada. Não tenho medo de errar e só se arrependa de não tentar. E salve, Cecília Meireles.

Até o próximo,

reinventando sempre

Teder Sacoman

PS.: Agradeço as mais de cem visualizações que o primeiro post teve. Valeu!

sábado, 1 de junho de 2013

Preconceito literário, existe?

Esse post é inspirado em uma conversa com alunas do 1º ano. Estávamos falando sobre literatura e eu vi sobre sua mesa um exemplar de "Percy Jackson e o ladrão de raios" e comentei sobre o livro. A cara de espanto dela me surpreendeu. Pergunta: só por que sou professor, devo ler apenas os clássicos?
Essa é uma hipótese no mínimo discriminatória e sustentada por muitos. Penso cá, comigo: depois do preconceito racial, religioso, sexual, viveremos uma onda de preconceito literário? As pessoas serão julgadas pelo que leem? Refletindo um pouco mais, percebi que isso existe e não é de hoje; nós, professores de português e literatura somos grandes disseminadores desse preconceito. Ao vermos um aluno lendo, por exemplo, "Harry Potter", "Percy Jackson", "Diário de um banana", costumamos criticá-lo dizendo que esse tipo de leitura não acrescenta nada. Pergunta: como posso criticar algo que eu não conheço, que eu nunca li?
Acredito que a leitura deva ser direcionada; toda leitura deve ter um objetivo: leio Machado de Assis porque é exigido pelo vestibular e eu preciso entrar em uma faculdade, ótimo, objetivo definido; leio "Crepúsculo", porque quero viver, pelo menos na imaginação, um grande amor que enfrentará dificuldades para se concretizar, ótimo também; leio "Diário de um banana" porque me identifico com as trapalhadas de Greg e Rowley, porque na infância/adolescência eu era assim também: esquisito e queria ser aceito por todos.
Nos nossos dias, devemos incentivar a leitura e nada mais eficaz do que começar lendo livros que nos atraiam, histórias que se relacionem com a nossa e faça sentido em nossa mente, preparando, assim, terreno para a leitura de outros textos.
Só para exemplificar: queremos que nosso aluno se interesse por Dom Casmurro e pela sua grande questão: Capitu traiu ou não Bentinho? Capitu estava dividida entre os amores de Bentinho e de Escobar? Se pensarmos é a mesma questão de Crepúsculo: Bella estava dividida entre Edward e Jacob? Enfim, se pudermos relacionar os livros que nossos alunos leem com as histórias que queremos que eles leiam e mostrarmos que os clássicos são tão fascinantes quanto os contemporâneos, conseguiremos atingir nosso objetivo.
Portanto, antes de criticarmos e nos acharmos donos universais do conhecimento literário, vamos aprender com nossos alunos, vamos vivenciar sua realidade para modificarmos a nossa em sala de aula. Acabaremos com os resumos da internet? Não, mas pelo menos conseguiremos despertar o gosto pela leitura de clássicos e fazer com que isso tenha sentido para nossos alunos. Pergunta: Isso significa que não gosto "da boa literatura"?
De forma alguma, leio frequentemente Machado, Eça, Cervantes, Dostoiévski, Clarice, etc. Para terminar, alguns livros "ruins" que eu adoro:

1º Dan Brown - já li todos: O código da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital,  O símbolo perdido, Ponto de Impacto e estou com Inferno para ler.
2º Diário de um banana
3º Percy Jackson e Os olimpianos
4º O caçador de pipas
5º A menina que roubava livros


Por hoje é só,

Abraços livres de preconceito literário

Teder Sacoman