sábado, 1 de junho de 2013

Preconceito literário, existe?

Esse post é inspirado em uma conversa com alunas do 1º ano. Estávamos falando sobre literatura e eu vi sobre sua mesa um exemplar de "Percy Jackson e o ladrão de raios" e comentei sobre o livro. A cara de espanto dela me surpreendeu. Pergunta: só por que sou professor, devo ler apenas os clássicos?
Essa é uma hipótese no mínimo discriminatória e sustentada por muitos. Penso cá, comigo: depois do preconceito racial, religioso, sexual, viveremos uma onda de preconceito literário? As pessoas serão julgadas pelo que leem? Refletindo um pouco mais, percebi que isso existe e não é de hoje; nós, professores de português e literatura somos grandes disseminadores desse preconceito. Ao vermos um aluno lendo, por exemplo, "Harry Potter", "Percy Jackson", "Diário de um banana", costumamos criticá-lo dizendo que esse tipo de leitura não acrescenta nada. Pergunta: como posso criticar algo que eu não conheço, que eu nunca li?
Acredito que a leitura deva ser direcionada; toda leitura deve ter um objetivo: leio Machado de Assis porque é exigido pelo vestibular e eu preciso entrar em uma faculdade, ótimo, objetivo definido; leio "Crepúsculo", porque quero viver, pelo menos na imaginação, um grande amor que enfrentará dificuldades para se concretizar, ótimo também; leio "Diário de um banana" porque me identifico com as trapalhadas de Greg e Rowley, porque na infância/adolescência eu era assim também: esquisito e queria ser aceito por todos.
Nos nossos dias, devemos incentivar a leitura e nada mais eficaz do que começar lendo livros que nos atraiam, histórias que se relacionem com a nossa e faça sentido em nossa mente, preparando, assim, terreno para a leitura de outros textos.
Só para exemplificar: queremos que nosso aluno se interesse por Dom Casmurro e pela sua grande questão: Capitu traiu ou não Bentinho? Capitu estava dividida entre os amores de Bentinho e de Escobar? Se pensarmos é a mesma questão de Crepúsculo: Bella estava dividida entre Edward e Jacob? Enfim, se pudermos relacionar os livros que nossos alunos leem com as histórias que queremos que eles leiam e mostrarmos que os clássicos são tão fascinantes quanto os contemporâneos, conseguiremos atingir nosso objetivo.
Portanto, antes de criticarmos e nos acharmos donos universais do conhecimento literário, vamos aprender com nossos alunos, vamos vivenciar sua realidade para modificarmos a nossa em sala de aula. Acabaremos com os resumos da internet? Não, mas pelo menos conseguiremos despertar o gosto pela leitura de clássicos e fazer com que isso tenha sentido para nossos alunos. Pergunta: Isso significa que não gosto "da boa literatura"?
De forma alguma, leio frequentemente Machado, Eça, Cervantes, Dostoiévski, Clarice, etc. Para terminar, alguns livros "ruins" que eu adoro:

1º Dan Brown - já li todos: O código da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital,  O símbolo perdido, Ponto de Impacto e estou com Inferno para ler.
2º Diário de um banana
3º Percy Jackson e Os olimpianos
4º O caçador de pipas
5º A menina que roubava livros


Por hoje é só,

Abraços livres de preconceito literário

Teder Sacoman

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