quarta-feira, 10 de julho de 2013

Enfim, chegou...

Não sou muito afeito a festejos e comemorações de aniversário. Procuro sempre me esconder nesse dia, talvez porque sempre que planejo algo, não dá certo, mas enfim... a festa é o de menos para mim.
Gosto de olhar para trás e refletir sobre tudo o que se passou nesses últimos anos: as conquistas que tive, as perdas que precisei encarar, as promessas que não cumpri... e olhar para frente, planejar tudo o que eu quero. E isso, felizmente, está muito claro para mim e já estou trabalhando para que se realize.
Algo com o qual, talvez, eu não esteja me entendendo muito é a idade...há pouco eu tinha 18, hoje já são 32. Acho engraçado como o tempo passa mais rápido conforme envelhecemos. Constantemente me assusto ao ver que meus alunos nasceram no ano que eu já estava na faculdade. Que minha mãe está chegando nos 60, que minha sobrinha - que eu vi nascer, tão pequenina - já vai fazer 10.
Não sou do tipo pessimista, mas do tipo reflexivo. Hoje penso muito em mim, nas coisas que quero fazer e que me dão prazer. Agradeço a Deus, ao meu pai Oxaguian por estar vivo, saudável e com forças para continuar... um ótimo aniversário para mim!

Beijos

Teder Sacoman


sábado, 6 de julho de 2013

Sonhos...


Hoje eu quero contar um sonho. É muito estranho, mas tenho tido sonhos estranhos, muitas vezes - em sua maioria - com pessoas que já estão em um outro plano. Alguns são muito claros, entendo o que significam, mas outros são confusos, não fazem muito sentido para mim. Às vezes guardo para mim apenas, às vezes divido com quem acho que devo dividir e dou os recados que acho que devo dar.
Devo dizer que sou candomblecista (acho que é esse o termo), acredito muito em forças da natureza, nos orixás e nos outros planos existenciais. Para mim,  esse mundo é apenas uma passagem para aprendizagem. E o sonho de hoje tem muito a ver com isso.
Não é novidade para ninguém o quanto eu amo Clara Nunes, "a mineira guerreira filha de Ogum com Iansã". Ela tem estado presente em diversos momentos. Quando estou triste, é ela que me dá alegria; quando estou ansioso, ela me traz a calma...enfim, as músicas de Clara e a sua história me motivam a nunca desistir e sempre tentar. E essa noite ela se fez presente. Depois de muitos sonhos ruins, um sonho maravilhoso:
Era um programa de televisão, Os trapalhões, anos 70. De repente, de uma brincadeira, os orixás começavam a tomar conta do palco: Ogum, Iansã, Xangô, Iemanjá, meu pai Oxaguian, todos eles e ela aparecia: Clara, com seu cabelo exuberante, em um vestido vermelho, cantando e dançando para mim. Só eu a via. Era um show exclusivo e tudo muito lindo. Ela cantava, os orixás dançavam e eu me sentia feliz como nunca.
Pode ter sido apenas um sonho, mas foi a realização de um sonho que eu nunca realizarei. Quando Clara "se foi a cantar para além do luar onde moram as estrelas" eu tinha apenas dois anos. Não a conheci, somente a vi em fotos e vídeos, mas esse sonho foi tão real que sinto ter ganho um dos primeiros presentes de aniversário desse ano: a Claridade esteve comigo e sei que ela sempre estará, gravada em minha mente, em meu espírito e no meu corpo.
Bem, queria apenas dividir esse belo momento que tive com todos. Ninguém precisa acreditar no que eu disse, no que eu acredito, basta que eu acredite e isso me faça bem.

Axé

Teder Sacoman

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A novela das 8

O post de hoje é para falar de um filme que já esteve em minhas mãos diversas vezes: já o vi em camelôs, em lojas de dvds (compro muitos filmes), na tv a cabo, enfim... sempre desdenhei, talvez por causa do título "A novela das oito".
Achei que seria um filme sobre novelas no Brasil, sei lá. Mas hoje, ao abrir o youtube, ele estava lá, em destaque, como sugestão. Pensei: "deve ser perseguição, melhor eu assistir logo essa merda e pronto". E fi-lo. E surpreendi-me. Terminei de assistir com o pensamento: "Esse é um roteiro que eu gostaria de ter escrito. Essa é a história que eu gostaria de ter contado".
Há muitos que acham cinema nacional uma porcaria, mas eu gosto, e muito dos filmes brasileiros. Ainda mais que como esse envolve questões políticas - com a perseguição da personagem principal pelos militares na ditadura -, amorosas - o romance que não deu certo entre os companheiros comunistas, mas que gerou um filho, sexuais - o filho da protagonista se descobrindo gay e tendo sua primeira vez com um homem que vive um casamento de mentira -, emocionais - a prostituta que sonha viver uma novela...
Enfim, não vou contar toda a história do filme, quem quiser que assista no link abaixo. Quero apenas deixar aqui meu reconhecimento a uma bela história que deixa um gosto de "quero mais" ao final.

Aproveitem!


Teder Sacoman

terça-feira, 2 de julho de 2013

Literatura de mulherzinha...

Esse é mais um post da série "Preconceito Literário". Vou falar um pouco sobre o livro "Fora de mim", de Martha Medeiros, lançado esse ano.
Eu nunca havia ouvido falar em Martha Medeiros, na verdade eu conhecia a adaptação de sua obra para a televisão e para o cinema "Divã", interpretado por Lilia Cabral. A sugestão de lê-la me foi dada pelo Renato Ferreira há algum tempo. Acabei achando o livro por acaso, comprei e fui ler. Ainda na livraria me perguntaram: É pra sua namorada?
Eu não entendi muito e questionei o porquê?
É um livro para meninas, fala de uma mulher mal amada que vai atrás do grande amor da vida dela, essas coisas de meninas.
Dei uma risada sem graça, paguei e sim. Hoje, sem ter muito o que fazer, resolvi lê-lo. Um livro pequeno, rápido de ser lido. Realmente fala sobre uma mulher que após doze anos de um casamento falido, resolve ir atrás de um grande amor. Na verdade, ela não está procurando um amor, está procurando a si mesma, está buscando saber quais são seus gostos, suas preferências. Estar envolvida com alguém é, ao meu ver, apenas uma forma de isso acontecer. Tanto tempo passou sem saber quem era que precisa de ajuda para isso. Seus romances não dão muito certo, mas entre acertos, erros e situações inusitadas - como se tornar amiga da mulher que lhe roubou um dos namorados - ela se encontra. Ela se descobre e se define.
Fiquei pensando, ao término da leitura, se esse é realmente um livro para mulheres. Acho que consegui compreender muita coisa sobre a alma feminina. É impossível ler e não se identificar como um dos namorados da personagem principal e se ver em uma das situações descritas.
Enfim, rotular um livro como "de mulherzinha" só porque foi escrito por uma mulher e tem situações românticas como pano de fundo é uma análise muito superficial. Martha Medeiros é uma de nossas maiores escritoras da atualidade e seus livros devem ser lidos levando em conta os diversos painéis que são pintados em suas histórias.

Até mais,

Teder Sacoman

sábado, 29 de junho de 2013

Enfim, férias...

Agora sim, oficialmente estou de férias... dormir até tarde, não fazer nada, apenas hibernar na cama os próximos 30 dias... até coloquei a tv no quarto...
Doce ilusão... essas férias não serão de descanso. Muitos projetos a serem realizados. Quero escrever muito, aliás, como faz tempo que não passo por aqui, não compartilhei o  prêmio que ganhei com o conto "Cotard", que está em um dos posts anteriores. Então, lá vai a foto. Agradeço muito pela escolha, mostra-me que estou no caminho e quem sabe um dia serei um grande escritor.


Agora vou começar os próximos projetos, ou melhor, concluir o que está enroscado:
1. Publicação do meu livro. Já era para ter saído há tempos, mas está enrolado;
2. Academia e natação. Preciso perder uns quilos;
3. Teatro. Tenho ensaios, só preciso descobrir quando;
4. Escola de artes. Esse filho também está demorando a nascer, mas está quase saindo;
5. Comemorar meu aniversário em Campos do Jordão, no frio e no descanso.

Bem, é isso que pretendo fazer. Nada de dormir, nada de não fazer nada. Mas começo na segunda-feira, hoje vou descansar. Se eu sumir de novo é porque estou na correria.

Até

Teder Sacoman

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Que diferença faz...

Quando comecei a escrever este blog, tinha como intuito falar sobre livros, discos, filmes... sobre o ato de escrever pelo qual sou apaixonado... mas, em uma das minhas conversas com alunos - e converso muito com meus alunos - fui questionado por que não toco em temas polêmicos, por que não comento o que está acontecendo, afinal, o Brasil está vivendo uma revolução e eu na minha casa como se não estivesse acontecendo.
Hoje teremos a manifestação aqui em Osasco, espero que ocorra bem, que o povo se manifeste sem vandalismo, pois que respeito queremos que os políticos e poderosos tenham por nós se não respeitamos o que é nosso? Não estar na manifestação não significa que eu concorde com tudo o que está acontecendo. O povo tem que se colocar na rua e gritar por seus direitos. Eu já fiz muito disso, já fui cara pintada a favor do impeachment do Collor, fiz greve contra as condições de trabalho a que nós professores estamos submetidos, já compareci à Parada Gay, pois acreditava que estaria ajudando a defender a igualdade entre todos, já briguei muito. E que diferença faz?
Faz toda a diferença. Quando demonstramos o que acreditamos ser certo, quando nos fazemos visíveis aos olhos de todos, quando não ficamos calados aguentando tudo o que nos é imposto e isso faz com que algo mude, então vale a pena, faz a diferença.

O preço do ônibus vai diminuir? O senhor Marcos Feliciano vai parar com a idiotice da "cura gay"? Os professores serão respeitados e tratados com dignidade? Não sei, mas sei que se isso acontecer eu poderei dizer: eu fiz a diferença. Eu estava lá. Defendendo os meus direitos e os dos outros.
Hoje uso esse espaço para manifestar, para falar e sei que o que digo chegará a muitas pessoas e é usando a palavra, essa querida, que consigo dizer o que penso e sinto.
Sei que misturei tudo neste post, mas o Brasil é isso: mistura de etnias, de religiões, de seres diferentes que devem se respeitar sempre.
Vou deixar um vídeo de uma campanha que vale a pena ser conhecida. Ser diferente é normal.



Até mais,

Teder


terça-feira, 18 de junho de 2013

E zás... como nasce a poesia!

E zás... como nasce uma poesia...


Às voltas com meus comichões literários que não me deixam dormir enquanto não preencho algumas linhas de meu caderno de rascunhos, veio-me à lembrança uma calorosa e engraçada discussão que tive com colegas literatos sobre o nascimento da poesia.
Devo confessar que o gênero em pauta não é o meu forte e que as poucas tentativas que fiz para adentrá-lo foram frustradas, mas como escritor e professor de literatura achei-me qualificado para o embate.
Várias teorias foram discutidas: que a poesia vem do coração, que as emoções devem fluir pela mão do poeta e configurar na folha de papel; que a poesia vem da mente, que deve organizar as palavras em uma sequência rítmica e métrica, sendo este o trabalho de um verdadeiro arquiteto da língua; que a poesia deve retratar a realidade e servir como forma de manifesto e indignação perante os descabidos da nossa sociedade; que a poesia deve conter amor e, ao contrário, ignorar toda a loucura consumista e egoísta de nossa sociedade; enfim, muito discutíamos e a nenhuma conclusão chegávamos.
No meio desta discussão toda, lembrei-me de uma história que me foi contada há algum tempo: a prefeitura de nossa cidade havia organizado um ciclo de palestras com escritores locais que percorreriam as escolas públicas da região para levar seu trabalho e cultura para as comunidades carentes. Durante um desses encontros – com a presença de uma ilustre e premiada poetisa de fama local, admirada por colegas da região -, uma criança perguntou: “mas como nascem as poesias?”
Sem titubear, a escritora respondeu: “É assim...” e tentando ser o mais didática possível, começou a encenar enquanto explanava sobre o nascimento da poesia. “Você fica pensando em algo, seu cérebro começa a te mostrar um monte de imagens, como um céu cheio de estrelas que vão vindo lá do fundo, que vão vindo, vão vindo, vão vindo e ... zás! Nasce a poesia. Entendeu?”
Se entendeu nunca soubemos, mas que deve ter se assustado com toda a gesticulação e movimentação dos braços da autora, isso deve. A criança até hoje deve achar que poesia é coisa de gente maluca, emaconhada, e se pensava em ser escritor deve ter desistido. Eu desistiria. Até hoje não entendo esta história de zás! Seria a poesia, então, um momento de epifania representado pelo zás? Ou seria o zás o exato momento em que um ser sobrenatural incorpora no poeta e este começa a escrever? O zás é o instante em que a droga bate e os horizontes se ampliam?
Enfim, o que concluímos desta discussão toda é que poesia é poesia, não importa como ela nasça ou o que ela retrate e que o zás é a melhor resposta para quando não sabemos a resposta de algo. Como escrevi esta crônica? Bem, eu estava pensando e... zás!

Teder Sacoman